Bem-vindo!

As dificuldades naturais no início do processo de autoconhecimento (Meditação)

As dificuldades naturais no início do processo de autoconhecimento (Meditação)

A primeira dificuldade neste processo de autoconhecimento, é que, se mantivermos a mesma maneira de pensar e de sentir a respeito de nossa vida, do outro e do mundo, nunca teremos uma percepção renovada de nosso cotidiano e assim nada vai mudar. Consideramos como cotidiano todo e qualquer evento que nos leva a ter uma responsabilidade de ação em relação a situação que se manifesta no << aqui e agora >>.

Então é necessário termos uma mente flexível para buscarmos ouvir novas formas e possibilidades de como perceber os fatos (internos e externos). E em si mesmo e por si mesmo, ousar aplicar este novo olhar, permitindo assim que surja em nossa mente e em nosso coração, a capacidade de identificar e de compreender como realmente nos relacionamos conosco mesmos e com os demais. Buscamos a experiência da auto-observação e não apenas uma nova teoria ou dogmas.

A segunda dificuldade é a de identificar a capacidade de observar a própria mente e de sustentar-se em ser um perceptor interno – em ser um observador pacífico – diante do observado internamente (pensamentos, emoções e sentimentos). Então encontramos no início, a dificuldade natural de manter-se no Estado de Concentração Interna. Sabendo que os cânones da experiência do Estado de Concentração Interna são distintos daqueles do Estado de Concentração  Externa.

Vamos abordar hoje apenas o estado de Concentração Interna. No mundo interno o habitual é pensar e sentir de forma automática e reativa a tudo e a todos. Isto é o comum e para muitos este movimento automático da mente é inconsciente. A experiência de Concentração Interna é um estado e não uma função cognitiva. Pensar e sentir reativamente é que são funções cognitivas.

Então, o praticante de Meditação Vedanta ou de Mindfulness Advaita, vai iniciar a capacidade consciente de auto-observação e de imediato, vai cair em pensar e em sentir a respeito do observado. Isto devido a que o comum, é que o ego não vai gostar do que vai perceber em si mesmo (na mente) e também devido a falta de habilidade (natural no início) em manter-se no <<Estado de Concentração Interna>>. O ego não gosta da auto-observação, e sofrer diante do que observa, será reagir de forma habitual por << querer algo, ou não querer algo >> que esteja acontecendo internamente.

Pensar e sentir de forma reativa e automatica aos fatos externos ou internos é como funciona a mente comum e é o estado habitual que todos conhecemos. No entanto, o momento de se saber (por atenção eficiente) o que se passa na própria mente,  é a experiencia da capacidade de ser um observador da própria mente, é o início do Estado de Concentração Interna.

Este <<Estado de Concentração Interna>> é distinto do <<Estado de Pensar e de Sentir>>. Pensar e sentir é uma forma de reagir habitual, devido ao movimento da memória e é a não aceitação daquilo que é observado, é a crítica a si mesmo. Ou seja, internamente (na mente), <<aquele que observa>> não é o mesmo que <<aquele que pensa, sofre e critica>>.

Mas, ter a capacidade de saber o que se passa na própria mente, ou seja, ter atenção eficiente ao mundo interno e não alimentar as tendências reativas através do desapego; será o princípio da manifestação do equilíbrio interno e consequentemente externo – ocorre a organização do cotidiano.

Desde o princípio, observe a si mesmo com gentileza e inteligência. O Estado de Concentração Interna (com a prática) se tornará estável e a partir dai surgirá uma mente que é capaz de refletir e de intuir diante dos fatos do cotidiano – do momento presente. A auto-observação é um estado sem esforço cognitivo (sem ansiedades ou expectativas), pois apenas solicita testemunhar o movimento da mente para encontrarmos um distanciamento da mesma e por fim, surge a ação renovada.

Com a prática a mente vai desacelerar e aquietar-se em si mesmo. Surgirá o silêncio interior e este silêncio será a plataforma para a manifestação da Consciência em estados internos mais firmes e profundos (Estado de Concentração Metafísica e Estado de de Meditação).

Sim, meditar de verdade dá trabalho, mas viver no automático reativo tráz consequências piores no presente e no futuro dará ainda mais trabalho.
Medite
Eloi Campos

admin

admin