A observação dos próprios pensamentos. É o princípio do equilíbrio


Publicado em: 26 de April de 2017

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A observação dos próprios pensamentos. É o princípio do equilíbrio

Desenvolver a capacidade de saber o que se está pensando – Concentração –  (observação interna), é o início da capacidade de observar o “mundo interno” e assim aprender a lidar com a vida (mundo externo) com mais harmonia, inteligência e precisão.

Isto é simples ou confuso para você? Você realmente sabe o que passa pela sua mente durante o seu dia?

Sabe que refletir de forma correta e refletir sobre os fatos é diferente de pensar ou sentir automaticamente sobre os fatos (reagir)? Você acredita em tudo que surge em sua mente?

Você sabe que as suas decisões durante o dia são na maior parte automáticas e inconscientes? Ou seja, é uma reação habitual da sua mente a realidade que se apresenta no momento presente.

Não se perder em projeções mentais/emocionais, não identificar-se com as divagações (imaginações e fantasias) sobre os acontecimentos diários, é sinal de se ter um autocontrole da mente e também de ser possuidor de certa capacidade em superar obstáculos naturais da vida, sem vitimizar-se e nem ser um carrasco para si e para com os outros.

Este autocontrole mental/emocional vai tornando-se cada vez mais presente e necessário através de seus atos, palavras, pensamentos e sentimentos quando a comunicação e a relação intrapessoal e interpessoal ocorrerem a partir de uma atenção eficiente.

A filosofia oriental que estudamos (Vedanta Advaita Sesha) possui uma metodologia teórico-prática e tem como base de meditação o princípio de que a pessoa venha a desenvolver a própria capacidade de auto observar-se, de ser hábil na capacidade da atenção constante a si mesmo e manifestar o consequente equilíbrio em seu comportamento externo (estar no mundo sem ser comandado pelo mundo), ou seja, conhecer e expressar a sabedoria e o amor por Si Mesmo, sempre alinhada com as responsabilidades da realidade.

Esta capacidade de auto-observação interior (prática interna) leva o estudante de Mindfulness Advaita e de Meditação Advaita a adquirir um autoconhecimento primário de saber identificar de como seu mundo mental e ou emocional normalmente funciona. Veja que a mente sem treino, funciona de forma automática, vive de maneira comum e caótica ao se relacionar com os acontecimentos do cotidiano, ou seja, a pessoa é dominada por seus hábitos mentais e emocionais inconscientes e conscientes de comportamento, na verdade o passado a governa (tendências cíclicas, memória).

A capacidade de desenvolver o don de saber, quais os pensamentos e as emoções que governam o estado interno de maneira reativa aos acontecimentos e muitas vezes de forma violenta, favorecerá a capacidade de refletir, de decidir e assim agir com uma eficiente e com correta atitude mental interna (buddhi/viveka) . E em não mais ceder aos impulsos automáticos geradores de conflitos a si mesmo, ao outro, ao meio profissional, social e familiar.

Conforme a visão Oriental (gnana yoga), a mente é formada por estruturas definidas e identificáveis. Não consideramos a mente como uma peça, ou como apenas uma expressão do órgão físico do cérebro. Tampouco não se considera a mente como sendo o inimigo número um e muito menos ela é o centro de nosso ser.

Muito pelo contrário é através de uma correta utilização da mente, iniciado pelo desenvolvimento da capacidade de auto-observação (pratiahara), que ficará claro para o praticante dedicado e perseverante, que o problema não é pensar, mas sim ser pensado.

Ser pensado, é exatamente o que ocorre quando  não temos o domínio dos pensamentos e ou das emoções e eles nos controlam. E ao percebermos internamente, descobriremos que os pensamentos surgem devido ao hábito da falta de controle interno (diálogo interno, emoções ou devaneios) e vivemos de forma aleatória e reativa aos acontecimentos. E esta forma de pensar caótica leva ao desequilíbrio, somatizações e conflitos interpessoais e intrapessoais, que diariamente encobrem a nossa natureza primária (Atman).

Assim identificamos que: Pensar não é o problema, mas sim pensar sem refletir. O desequilíbrio é pensar sem conexão com os fatos do momento presente (fantasiar ou imaginar), os pensamentos e os sentimentos devem estar sempre alinhados ao momento presente.

É no momento presente que os fatos ocorrem e em nenhum outro tempo e espaço. O momento presente é o meio onde podemos encontrar as soluções práticas e as intuições reais para muitas das perguntas e dificuldades em relação aos fatos. Pois é através dos fatos e dos relacionamentos que encontraremos as possibilidades de reta ação.

Vamos com calma. Temos o vício coletivo de valorizar o pensar pelo pensar, ou seja, a ilusão de base é “penso logo existo”. Perceba em você e tire as suas conclusões. Veja que quando pensa; está acessando o seu “disco rígido”, ou seja a sua memória (chitta) ; e sua memória apenas possui elementos do passado. Quando você pensa, apegado a memória, estará desconectado dos acontecimentos que se apresentam no momento presente. No entanto; acessar elementos (informações) do passado – na memória, terá valor quando o momento presente solicitar por si mesmo, em oportunidade de lugar e tempo.

Veja estes simples exemplos:

Exemplo 01- Você vai tirar férias em 03 meses, então de forma inteligente e tranquila, vai usar a sua mente para planejar estas férias. As férias são uma real possibilidade no futuro; mas a natureza de seu planejamento solicita que seja realizado ou iniciado o seu estudo hoje, no momento presente. Então pensar/refletir o que você (e sua família) vão fazer nas férias é uma condição inteligente e necessária no momento presente, caso queira ter sucesso nas férias.

Exemplo 02 – Você tem uma reunião para daqui a dois dias e veja as informações que você sabe: A data da reunião, o horário, o local e a sua responsabilidade na reunião. A reunião está no futuro, ok. Mas, inconscientemente ou conscientemente você entra em um estado de tensão interna, fica pré-ocupado, perde o foco da sua responsabilidade para com o seu papel na futura reunião e não dá a devida atenção ao que deve ser atendido ao preocupar-se com expectativas e medos, ou com coisas que não tem prioridades no momento, iniciando assim um processo de auto sabotagem.

Contamina sua mente e emoção com assuntos de menor valor, ou com o stress negativo a respeito da reunião e consequentemente contamina o seu meio. Chega em casa de mal humor, como se sua família fosse responsável pela sua falta de controle e de organização de si mesmo e de suas responsabilidades. E por não saber priorizar e não ter a capacidade de enfrentar os fatos e suas obrigações (reunião em dois dias), acaba por fazer de sua família um saco de pancadas.

E o que ocorre na reunião? Imagina o resultado, se você é o chefe, o comum é camuflar a própria irresponsabilidade. Se não é, vai sofrer. Qual será a qualidade esta reunião? Está decretado o fracasso antes de começar.

No segundo exemplo é evidente que o profissional não tem a mínima capacidade de auto-observação e de autocontrole, interna ou externa. É escravo – por hábito – de seu próprio comportamento habitual interno (ego) e reativo diante dos fatos naturais da profissão, não há um refletir sobre os fatos, mas um constante e incoerente pensar e reagir e um sofrer emocional que envolve a todos ao redor e isto é a base dos prejuízos, desequilíbrios, somatizações, dissoluções de relações, vícios e muito outros males.

A capacidade de pensar foi utilizada nos dois exemplos, é possível trocar o estado mental em ambas as situações e poderíamos dar centenas de outros exemplos. Mas veja, apenas no primeiro exemplo a pessoa assumiu a responsabilidade de refletir diante dos fatos (organizar as férias) que a vida lhe solicita diante das possibilidades das ações. E isto pode ser feito diante de qualquer situação que nos solicite.

Aprender é também aprender a usar a mente de forma eficiente, inteligente, neutra e fora da escravidão comum (individualismo, materialismo e egoismo espiritual). Aprender é parar de projetar a busca da felicidade na forma de preocupações ou ansiedades diante da vida. Há um vício coletivo crônico em querer sempre possuir, ter o controle, ter coisas, ter poder e de dominar as pessoas.

Ter uma mente pacifica é uma possibilidade real e necessária para buscarmos a aprender e descobrir juntos e mais profundamente sobre nossa verdadeira natureza interior e assim, criarmos um meio prospero e comum diante da natureza que a vida apresenta (karma/Dharma).

O <<eu>> apenas vive e morre a cada instante no momento presente.

Meditar é preciso, apenas é possível meditar no momento presente.

Eloi Campos

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