Sentir-se proprietário da ação impossibilita o fluir da criatividade.


Publicado em: 03 de November de 2017

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Sentir-se proprietário da ação impossibilita o fluir da criatividade.

O processo criativo é comum a todos os lideres, mas é habitual ocorrer a manifestação de algo novo e nada mais surgir. Ocorre um bloqueio mental e emocional que dificulta ou impede a manifestação de novas criações.

Este bloqueio interno também é devido a que o profissional/pessoa, ao sentir que cria algo novo, por hábito e também devido aos condicionamentos culturais, de imediato sente que foi ele quem criou – eu fiz. Isto é o que chamamos de sentir-se proprietário da ação.

É tão comum que acreditamos que isto é o natural. Ser esta individualidade que dá certa especialidade a si mesmo quando atua durante o processo criativo é muito enraizado na nossa cultura ocidental que até parece ser o único estado cognitivo possível, mas, existem outros estados cognitivos que são mais estáveis, eficientes e saudáveis para se trabalhar e viver diante da realidade – estamos falando do Estado de Concentração.

Mas então. Quando surge a ação criativa e quando surge o sentimento de ser o proprietário da ação?

Perceba em si mesmo. Os elementos necessários para a manifestação da criatividade serão comuns a todos. É preciso ter a capacitação, a responsabilidade e a oportunidade diante da necessidade de ação no momento presente. As possibilidades serão encontradas ou criadas no processo de renovar as estratégias de ação ou na criação de novos produtos. E até para gestão de valores e de conflitos que são naturais no processo criativo coletivo.

Agora busque lembrar em sua própria experiência profissional ou pessoal e encontre na memória um instante onde “você foi criativo”. Um momento de insight, de intuição que possibilitou o surgir de algo novo na mente. Os elementos anteriores descritos estavam no momento? Provavelmente sim.

Mas vamos buscar agora o instante antes de surgir a criação em si, quando aconteceu o Aha! Perceba que sua mente teve um instante de silêncio e de quietude antes de surgir o novo. Ou você simplesmente tirou a sua mente da situação, se ocupando com outra coisa, normalmente com algo simples e ao voltar para a situação anterior, saltou na mente algo renovador e criativo. Isto é muito comum, também ai ocorreu um silencio em relação a situação a ser solucionada – também é conhecido como ócio criativo.

Perceba então que a criatividade vem de uma espécie de nada, de um vazio de pensar e de sentir a respeito, de uma quietude interna, segura e pacífica, sem desejos ou medos – da ausência do sentimento de individualidade. Então é fundamental que exista os elementos primários e que a mente esteja quieta para que esta conjunção da capacitação com a confiança em si mesmo no silêncio, possibilite a criação e a renovação da ação.

Grandes invenções e soluções se manifestaram por uma espécie de “acidente” cognitivo, após muita atenção, dedicação e posterior ao instante de silêncio cognitivo.

Veja, até agora o sentimento de ser o proprietário não surgiu. Temos a atenção eficiente tão focada na busca de soluções que entramos sem perceber no Estado de Concentração e este estado cognitivo permite a desconexão com tudo mais que esteja acontecendo ao redor e até da lembrança de si mesmo existindo – apenas existe aquilo que atendemos. E ai surge neste silêncio a nova inspiração. Muitos artistas buscam o isolamento para criar, o processo é o mesmo, mas isto não é fundamental, apesar da natureza e do distanciamento dos ruídos da cidade favorecerem o silêncio interior criativo.

Agora, ao surgir a ideia completa, perceba, surge de imediato – e isto é imperceptível para muitos -, a sensação de que esta ideia é sua – tive uma ideia -, ai neste instante surge a individualidade,  egoismo. Neste momento de posse o seu processo cognitivo não mais está no módulo eficiência que criou, mas sim está no módulo lento e pouco eficiente da individualidade que possui, ou seja, se apropriou, – é meu, eu criei, sou o máximo… . Isto é tão comum em nossa cultura que até é estimulado.

O problema é que a partir da apropriação da criação e na posterior estabilidade na individualidade cognitiva criada pela mente egoísta, não mais ocorrerá a manifestação de novas criações e nem a manutenção criativa daquilo que foi criado. Dai surgem as dificuldades de criar novamente e de manter a eficiência deste processo. Ou o processo demora em surgir, ou não surge e ai vive-se na lembrança do que fez no passado. Ou ainda, buscam-se estímulos artificiais para o processo criativo (drogas legais e ilegais). As drogas até estimulam – no início – este silêncio criativo, mas a que preço?

O que buscamos através de práticas de Meditação – Mindfulness Advaita – é o aprimoramento da atenção eficiente que nos leva ao Estado de Concentração. E assim, aprender a identificar as dificuldades e a estabilizar-nos neste estado criativo, é o que nos levará a manifestação de uma mente que se mantém cada vez mais fluida e de forma simples nesta condição criativa e renovadora.

Sentir-se proprietário é apenas uma das dificuldades da criação. Um passo por vez.

Se não é o que você chama de <<eu>> em você quem cria, quem em você cria?

Medite
Eloi

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